segunda-feira, janeiro 10, 2011

Crônicas da tristeza.

          Seis da manhã, ela levantou-se como todos os dias, falou rapidamente com Deus só o de sempre(...), saiu do quarto e seguiu sua rotina matinal, foi ao trabalho e lá, mais uma vez, viu-se perdida em pensamentos dolorosos, de falta.
         Seis da noite, ela se preparava para ver os amigos, o que ela julgava que seria bom, mas estava enganada, como sempre, saiu de lá muito pior do que quando havia chegado, saia além de com seus problemas com o de cada um deles naquela bolsa imaginária que ela carregava.
         Em casa ela tentava desabafar, mas com quem?
         As paredes do seu quarto pareciam estar cansadas das crises constantes de choro, das orações mal-feitas  e dos gritos abafados pelos travesseiros, a janela sempre aberta dava uma vista parcial de uma constelação que ela via toda noite, fios de eletricidade e duas árvores da calçada vizinha, não era das melhores vistas mas naquelas horas parecia ser o único lugar aonde ela queria estar, no meio daquele vazio, do silêncio, na paz.
        Mas não adiantava muito, ela tentava lutar contra a dor, tentava respirar, tentava sorrir, mas não era nada sincero, ela não era e nem é feliz.
        Perguntavam como ela estava, e antes, ela sempre contava toda a história do seu amor perdido, da sua falta de coragem, das frustrações infantis, dos medos, do choro, mas de um tempo pra cá a resposta tinha passado a ser, é, ta tudo bem, finalmente;
        E todo mundo parecia acreditar que ela estava realmente bem, porque ela não deixava que ninguém a olhasse, que ninguém visse seus olhos profundos e cheios de lágrimas, ninguém realmente se importava com os sentimentos dela, sempre esqueciam seu aniversário, esqueciam que ela tinha recitais de música, que ela tinha qualquer coisa que precisasse de plateia a fazer, e ela como sempre estava conformada, conformada a não pedir ajuda, conformada a não contar mais nada a ninguém, conformada em dar um basta na necessidade de apoio.
         Ela na verdade não sabia o que queria, era tão indecisa, sempre havia sido, desde a primeira escolha que teve de fazer e acabou assim, sem nada, sem ninguém, sem muitos sonhos, sem muitos amores, sem planos e um futuro morto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário