quinta-feira, junho 30, 2011

Quanto a vestidos novos

-Então quer dizer que eu não posso usar meu vestido novo? Quem você tá pensando que é? A gente só saiu umas duas vezes e mais nada, sem essa de posse pra cima de mim!
Me arrependi imediatamente de ter gritado isso na cara dele, a gente já tava junto a quase um mês, basicamente morando juntos e eu fiz o coitado se sentir no chão com a minha estupidez, mas, ah, é só um vestidinho inocente que deixava minhas pernas amostra.
Ele me olhou, de um jeito que me fez sentir dó, eu corri pra os braços dele e disse:
-Ta bom, amor, eu vou mudar de vestido-num tom de desespero pelo perdão, com uma expressão de vergonha estampada no meu rosto.
Como ele sabe que eu nunca fui boa em pedir desculpas, me puxou pra mais perto já sorrindo da minha expressão e sussurrou no meu ouvido:
-Ta perdoada.
E eu acabei mudando mesmo de vestido, mas, a noite não poderia ter sido melhor.

Um tal de desejo.

“São duas da manhã e mais uma vez estou sem sono, no ultimo mês tenho dormido muito pouco pensando em todas as maneiras possíveis de colocar um ponto final no que se passa, não sei como lidar com esse desejo enorme que toma conta de mim sempre que penso em você; preciso de você de volta nos meus lençóis, mulher, por quê você faz isso comigo?
Você se insinua, se contraria, diz que sentiu minha falta e diz que me quer por inteiro, não negue, mas venha, tenho a certeza que aquele presente que eu te dei ainda está novo, embrulhado talvez, e eu insisto em te ver com ele, em te ter vestida naqueles trajes vulgares que fazem um contraste perfeito com todo esse pudor que você tem.
Quero mais que nunca sua pele castanha e macia, mais que nunca do meu lado nas noites quentes, e nas noites frias, quero poder te merecer, te pertencer, como na primeira noite.”

E enquanto eu lia aquele e-mail, nada além de corpos entrelaçados e mãos e pés numa confusão profunda e intensa passava pela minha cabeça, pensava nas mãos dele desenhando minhas curvas naquela cama, pensava na maneira que me sentia sem pudor algum quando ele me puxava pra ele, pensava no amarrotado que nossos corpos deixavam no lençol, eu pensava, pensava muito...e ele não faz ideia de quanto isso é perigoso, do quanto ele pode se ferir nesse jogo, tem muito mais que só cobiça, tem minha mente, nossas mentes, duas mentes muito perigosas.

sexta-feira, junho 24, 2011

Sinceros votos.

Ele era meu, mas nunca estava comigo, fazia sempre questão de ressaltar a distância entre nós e vivia reclamando minha presença, mas como eu sempre fui muito desentendida não dava ouvidos, nem olhos, nem corpo, nem nada; ele me gritava de saudades e eu era surda, surdinha da Silva e nunca fiz muita questão de prestar atenção no que ele queria dizer, até o dia que o telefone parou de tocar, que os e-mails pararam de chegar, que ninguém mais me mandou lembranças dele, então eu vi que o tempo todo eu estava tentando sufocar aquele amor absurdo que eu não teria nunca coragem de revelar.
Meu amor, se você ler esse texto, hoje ou qualquer outro dia da sua vida, saiba que meu silêncio era medo, minha ausência sempre vergonha, e que eu te amo, e não te esquecerei nunca.
Me disseram que você vai casar, te desejo felicidades e que seus filhos tenham bastante saúde, e quem sabe que a sua esposa morra e você volte correndo pra mim; são meus sinceros votos e até mais.

Doce paranoia.

“O que foi dessa vez? Vai reclamar de eu ter te seguido até o bar? Eu só queria ter certeza que você ia encontrar seus amigos e que voltava cedo, você disse que ia me levar qualquer dia desses, por que não pode ser hoje? Qual o problema, minha roupa, meu cabelo, minhas unhas?
Eu sei, eu sei, eu estou gorda e cheia de celulites, mas eu posso fazer um tratamento, eu cubro as pernas até lá se você quiser, ou será que é minha pele, ah, eu sei que tá terrível, mas amanhã mesmo eu procuro um dermatologista, sabe, eu me preocupo com o que você acha...e...”
Então ele segurou meus ombros e disse:
“Sua paranoia te trouxe direto aonde queríamos.”
As luzes se acenderam e o coro começou a cantar:
“Parabéns, pra você...”
E eu achando que ele tava indo me trair ou que tinha vergonha de mim, ô paranoia de uma figa.#RISOS.

quinta-feira, junho 23, 2011

Um passo novo.

Eu quero muito me jogar naquele sofá, colocar a vergonha no bolso e te ligar, dizer: amor, hoje ta tão frio, eu to com saudade, vem me ver? e te ouvir rir da minha carência do outro lado da linha dizendo: já chego, meu amor, pra animar sua noite. Mas eu não vou ligar, nem espere, pode ir curtir sua noite com seus amigos seja lá aonde for, as pessoas podem fazer um milhão e meio de coisas num sábado a noite.
Ah, se você sentir saudade e me ligar, se não for atendido é que eu devo ter saído pra curtir, afinal você vive dizendo que eu sou jovem e a vida é curta, fui aproveitar, viu, amor? Quero muito que você se divirta horrores, porque eu vou me divertir muito, muito mesmo.
Talvez eu viaje também, com esses novos amigos, minhas roupas novas e o batom vermelho rubi que eu peguei na bolsa da minha mãe e vou viver, te mandarei algumas mensagens de texto, alguns email, quem sabe, mas vai ser só pra não sumir de vez da sua vida. Viva bem no meu passado, porque o meu futuro boas coisas me reserva.

quarta-feira, junho 22, 2011

Comunicando mudanças.

Decidi hoje tomar uma atitude decente quanto a minha vida, fazer valer essa mudança que as pessoas vem observando, e como eu mesma disse a alguém um dia: Mudanças são sempre bem-vindas e é por essas e outras que estou escrevendo nessa noite de quarta-feira, ante-véspera de São João.
Eu poderia estar fazendo qualquer outra coisa agora, dormindo, comendo, dançando, conversando, vai saber o que se faz nas quartas a noite, não é? Maaaaaaaaaaaaaaas, eu estou aqui e sem papas na língua pra ser sincera comigo mesma e com o resto das pessoas que por algum acaso decidiu ler o que eu escrevo.
Eu tenho estado bastante feliz nesses últimos tempos, porém um tanto insatisfeita e não o tenho escondido de ninguém, e apesar de todos estarem me reclamando de volta (sensível demais, chorosa demais, infeliz demais.), eu estou me achando muito bem, apesar da insatisfação claro, mas ela não é por mim e sim pelos demais que eu tenho tentado convencer a melhorar.Melhorar de vida, melhorar de humor, já disse e repito quantas vezes precisar: reclamar não vai mudar nada.
Ah, vão as cucuias com essa vontade de ser o centro do universo, vocês não são, e tem gente com problemas muito piores que os de vocês por ai, larguem de ser hipócritas e de dizer que estão felizes demais nessas vidinhas estúpidas e nesse circulo vicioso de humilhar os outros e se humilhar logo depois; Eu não tô me negando a ajudar, nem nada do tipo, mas se vocês não querem ser um pouco felizes o que eu posso fazer, não é?
Não digam que eu não tentei.
E digo mais, lavo minhas mãos e que vivam suas vidas amargas, porque a minha, apesar dos pesares, ta boa pra caramba e eu não quero estragar.

domingo, junho 12, 2011

-

Não ache que sendo desagradável vai atrair amigos. 
Se você é infeliz, vai continuar o sendo;
 se não mudar seu jeito de olhar o mundo.
Ser infeliz não te torna diferente.

Não é sendo infeliz que você vai se sentir melhor,
felicidade é só questão de escolher,
escolher rir de ter caído a ficar resmungando,
escolher respirar fundo a brigar com seus parentes.

Ser feliz é a solução, ser feliz.
Mude seu modo de olhar, de pensar,
lave seu rosto e erga a cabeça,
veja como tudo vai melhorar.


domingo, junho 05, 2011

Aquela mulher.

Não era das mais altas, e tinha curvas que mais pareciam ter sido esculpidas a mão, era sensual, mas tímida e transparecia uma confiança que não possuía, principalmente quando exibia seus cachos negros que desciam pelo colo exuberante.
Tinha olhos extremamente atraentes e cílios marcados pelo rímel, o respeito de todos e era cercada de olhares, todo tempo, mas era mais do que aparentava, era mais que o poder, que o fatal, que a confiança,
Tinha quase sempre as respostas mas ainda assim escondia um intelecto privilegiado.
Era fascinada pelo simples, por coisas que tinham para ela um valor descomunal, as pessoas não imaginariam nunca que ela conhecesse tanto a vida, suas mãos e sua pele, sua expressão forte e segura pareciam não demonstrar sofrimento apesar de deixar no ar sempre uma dúvida quanto ao que se referia, parecia ser um tanto ambígua nos seus gestos, no modo que falava, no que pensava, parecia não pensar, era imediata.
O sorriso era largo o que contradizia a seriedade daquela mulher que estava em segundo plano na sua própria vida, vivia cerca de pessoas que não se importavam realmente com o sentido daquilo tudo o que dava vasão a uma desconfiança quase descomunal de qualquer pessoa que se aproximasse, mas um amor ainda maior por aqueles que realmente conseguiam enxergar a cadência e a doçura nos seus olhos fatais.

-nova

Acordou diferente, e disposta a ser melhor, mais mulher, mais pronta, mais de verdade.
Levantou-se, despiu-se da mulher velha e aos poucos foi vestindo-se de amor próprio.
Pegou aquela roupa que havia comprado quando acabou o namoro, um batom vermelho,
delineador e rímel, refez-se por completo.
Pôs seus óculos escuros, pegou sua bolsa, e calçou aquele sapato maravilhoso que havia
ganho uns meses atrás do cara que a deixou.

De cabeça erguida, saiu de casa com o pé direito e transformou o lugar que a rodeava,
nunca estivera tão bonita, tão segura, um vulcão quase literalmente  era inteira fogo,
mas não é pecado, não era orgia, ela cheirava a amor, ao grande amor da vida dela,
aquela que ela viu quando olhou-se no espelho.

quarta-feira, junho 01, 2011

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Ardia, mas não era pelos sentimentos ternos de sempre por você, era mais forte, muito mais forte,
eu te quero, quero agora, desejo.

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 Ele como sempre não bateu na porta para entrar, estava furioso e eu não sabia o que tinha feito e se tinha feito alguma coisa, ele não me ouvia, gritei pra ver se ele me daria atenção e de súbito ele socou a parede, a uns poucos centímetros do meu rosto, sabia que o soco era pra mim e perguntei:
-Você vai me matar?
Ele respirava fundo, parecia ter recuperado o controle. E disse:
-Não mato pessoas importantes.
-Eu sou importante? -repliquei.
-A mais importante de todos, agora., me desculpe.-e se aproximou daquele jeito de sempre, aquele que sabia que me deixaria no mínimo sem condições de dar respostas lógicas as suas perguntas.