sábado, julho 30, 2011

Sem música.

Um palco pequeno, um piano de cauda, um saxofonista e eu.
Eu tocava piano e cantava, não sei a certo que estilo, mas cantava.
Em um dia qualquer de show ele me apareceu, aqueles olhos escuros me sugaram de um jeito...quase que um buraco negro. Eu cantava uma dor que eu não tinha e um vazio que não vivia, sofrimentos causados por um sentimento que eu até aquele momento abominava profundamente até que, depois do show, quando desci do palco, ele se aproximou de mim e me convidou para um drink.
E ele seria só mais um drink, um sexo casual e a vida continuaria, se ele não fosse diferente, se depois daquele drink ele não tivesse pedido meu telefone no lugar de me dar o endereço de um motel barato.
Mais três noites de show e alguém familiar estava sempre lá, na mesa redonda que tinha uma vista privilegiada do palco, com um copo de gim e um sorriso de triunfo. Ah, aqueles olhos negros...aquele buraco negro que exercia uma atração enorme sobre mim e aquela voz venenosa que me amava diva, aquela voz que me idolatrava...Aquela voz que quando eu menos esperei me apareceu com um pedido piegas e ao qual eu deveria ter recusado, um pedido absurdo que eu em outros tempos com pena alguma teria negado, mas eu não conseguiria negar naquele momento a minha vida inteira a ele.
E eu larguei, larguei minha carreira, larguei meus sonhos, larguei meu ar de diva e minha voz brilhante...tudo por aquele homem, depois disso ele só me disse que agora eu não tinha mais graça, era uma mulher normal, sem brilho.
Acabou, acabou tudo, e depois dele eu nunca mais cantei.

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"Mas ele não soube,
nem saberá nunca,
Tudo que senti..."

Patricia Morgan

quarta-feira, julho 13, 2011

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Tenho tido tremores durante a madrugada, duas da manhã e eu não consigo controlar minhas pernas, minhas mãos, meu coração. Tenho chorado todas as madrugadas e sinceramente toda essa nossa proximidade não me tem feito bem, não sei o que é, mas sei que você me tira algo sempre que se aproxima.
Eu estava pensando em algum jeito que não fosse dolorido pra nós de dar um fim nessa história, sabe, é que eu não aguento mais esperar que você se decida e não vou ter energia o suficiente por nós dois, não posso simplesmente permitir que você me tire meu melhor, minha luz e fique por isso mesmo, que só volte pra “recarregar as energias”.
Sinceramente, pare de mentir pra mim, pare de dizer que sempre pensa em nós, talvez eu até acreditasse se você no lugar de me arrancar lágrimas fosse me trazer sorrisos, mas parece que não, pois é, era só isso que eu tinha a dizer.
Talvez você não tenha entendido, eu também não entendi, mas quando você sair desse restaurante hoje, não volte mais para minha vida.
E sinceramente, mais uma vez, não dou a mínima pra o que você pensa de mim.



Sobre amigos e flores.

Visitei por esses dias o perfil de uma antiga amiga, digo antiga porque já não temos contato, e por lá encontrei algumas fotos também antigas onde me vejo mais moça, mas não tão feliz ou talvez até infeliz e pensei, é, esses não foram bons tempos, eu sorria mas não era nada de puro.
E por falar em pureza, tem doído tanto continuar tentando, tem doído cada vez mais acreditar nas pessoas e achar que em algum lugar eu poderei confiar em alguém, aliás, a impressão que tenho é que a seca vai começar outra vez no meu jardim e que vou perder as rosas que eu cuidei com tanto amor, vou perder também os vizinhos e vou morar numa rua fantasma, sozinha e enrugada como eu sempre temi.
Mas de verdade não é o que eu quero, quero que minhas rosas fiquem lindas desabrochando numa primavera interna, quero que as flores que trago dentro de mim não morram e que a esperança não murche, eu preciso mais que nunca acreditar. 
E em quem eu vou acreditar se não em mim? - olhei pra janela, e já estava amanhecendo, apaguei a luz e adormeci.

quinta-feira, julho 07, 2011

Despedida

Eu nunca fui muito boa em despedidas, mas vou versar já no fim da vida as dores que tenho a dizer.

Eu aqui quase canto essa dor que me sufoca,
dor de ter perdido amigos e a chave dessa porta
que me libertaria de todo o sofrimento que eu tanto me causei,
por ter escolhido o tormento para mim em todos os momentos.

Eu aqui me arrependo de tanta dor ter sentido,
por ter esquecido a vida,
por ter esquecido os amigos.
Que me ofereceram as mãos e quiseram me ajudar,
e eu assim tão cega dei de recusar.

Não sei como dizer, tudo o que eu sentia,
sei que essa dor hoje verso pra que se tenha alegria,
venho então dizer, agora, que vou-me embora,
que já sinto mais nada que seja da boca pra fora.

Me despeço aqui então, sem nada muito ter dito,
mas pelo menos pus pra fora de mim esse grito,
e agradeço a quem ouviu e talvez queira voltar,
pra me dizer um grave adeus, pra que eu nessa paz me vá.

domingo, julho 03, 2011

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Estava sentada na varanda com uma amiga de muito tempo, e falávamos de como éramos, do que nos tornamos, ficamos a nos perguntar onde estão aquelas meninas doces e sensíveis que viviam falando de amor e sonhando com um futuro bom, e nos respondíamos, cresceram, viraram mulheres de negócios e bem sucedidas sem tempo pra qualquer tipo de amor ou ilusão de um mundo melhor, viraram mulheres que precisavam lutar pra sobreviver e que carregam no peito a dor de não poder mais ser as meninas que tanto sonhavam.