sábado, julho 30, 2011

Sem música.

Um palco pequeno, um piano de cauda, um saxofonista e eu.
Eu tocava piano e cantava, não sei a certo que estilo, mas cantava.
Em um dia qualquer de show ele me apareceu, aqueles olhos escuros me sugaram de um jeito...quase que um buraco negro. Eu cantava uma dor que eu não tinha e um vazio que não vivia, sofrimentos causados por um sentimento que eu até aquele momento abominava profundamente até que, depois do show, quando desci do palco, ele se aproximou de mim e me convidou para um drink.
E ele seria só mais um drink, um sexo casual e a vida continuaria, se ele não fosse diferente, se depois daquele drink ele não tivesse pedido meu telefone no lugar de me dar o endereço de um motel barato.
Mais três noites de show e alguém familiar estava sempre lá, na mesa redonda que tinha uma vista privilegiada do palco, com um copo de gim e um sorriso de triunfo. Ah, aqueles olhos negros...aquele buraco negro que exercia uma atração enorme sobre mim e aquela voz venenosa que me amava diva, aquela voz que me idolatrava...Aquela voz que quando eu menos esperei me apareceu com um pedido piegas e ao qual eu deveria ter recusado, um pedido absurdo que eu em outros tempos com pena alguma teria negado, mas eu não conseguiria negar naquele momento a minha vida inteira a ele.
E eu larguei, larguei minha carreira, larguei meus sonhos, larguei meu ar de diva e minha voz brilhante...tudo por aquele homem, depois disso ele só me disse que agora eu não tinha mais graça, era uma mulher normal, sem brilho.
Acabou, acabou tudo, e depois dele eu nunca mais cantei.

Um comentário:

  1. olá
    belo blog!
    me inspirou
    seguindo
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